Brasileiros quebram o silêncio em Berna

Em 21 de abril de 1995, Dia de Tiradentes, reuniram-se, numa mesma sala em Bern, médicas, advogadas, profissionais liberais em geral, todas formadas no Brasil e enfrentando o mesmo problema de reconhecimento profissional na Suíça. A conspiração estava formada e havia uma necessidade gritante de fazer alguma coisa. Todas estavam com a mochila cheia de conhecimento profissional, com sede de ensinar e aprender e não tinham onde depositar sua bagagem. Como diz o ditado, “casou a fome com a vontade de comer” e estava criado o Grupo Atitude.

O Ginásio Neufeld, em Berna, ganhou nova vida com o III Encontro Brasileiro na Suíça, realizado nesse local no dia 28 de outubro. Embalados pelo ritmo de Simone Santos e Gecy Marti, os mais de 350 brasileiros reunidos no auditório cantaram e dançaram sucessos da música brasileira, festejando a oportunidade de se encontrarem.

A parte cultural do evento foi precedida por algumas palestras que abordaram o tema principal, “Integração e Participação”. Carminha Pereira, do grupo organizador, abriu o Encontro e expressou o contentamento da equipe em ver um auditório cheio. Os representantes dos governos brasileiro, suíço e da cidade de Berna foram unânimes em afirmar a importância de eventos dessa natureza não só para o fortalecimento da comunidade brasileira, mas principalmente para contribuir no processo de integração dessa população na sociedade suíça.

Na seqüência, Carminha Pereira apresentou a caminhada histórica da imigração brasileira na Suíça e dos Encontros já realizados. Carminha enfatizou que os brasileiros na Suíça fazem parte de um contingente de cerca de 3 milhões de brasileiros vivendo no exterior e estão entre os 45 mil que se estima estejam vivendo neste país. Essa comunidade imigrante, Segundo Carminha, não é homogênea e vem se modificando muito com o passar dos anos. Essa tendência pode-se sentir também nos diversos encontros realizados na Suíça. O I Encontro, em 1998, foi direcionado somente a mulheres e abordou a questão do “Ser migrante”. Seis anos depois, em 2003, o II Encontro Brasileiro na Suíça tratou do tema “Identidade e Integração” e reuniu cerca de 300 brasileiros de ambos os sexos. Na seqüência da caminhada realiza-se agora o III Encontro, disse ela, concentrando as atenções na necessidade de participação da comunidade migrante no país de acolhida.

Ao falar sobre as formas de participação dos brasileiros, a comunicadora social Denise Amaro, que trabalha na Rede Social, em Genebra, descreveu as diversas formas de participação possíveis e falou sobre sua experiência pessoal nesse campo. Ela foi eleita para a Comissão Consultativa de Integração do Estado de Genebra e acredita que a via para a integração passa pelo trabalho coletivo, a solidariedade e o trabalho em rede.

Irene Zwetsch fechou os trabalhos da manhã apresentando o histórico, os objetivos e a composição da Comissão pró-Conselho de Brasileiros na Suíça. (Veja detalhes no Box). Depois foi a vez da música, que esquentou os tambores antes do almoço.

Workshops abordam a vida prática

Na parte da tarde foram realizados 14 Grupos de Interesse, que funcionaram simultaneamente em diversas salas da escola. Os temas, abordados por especialistas em cada área, foram: Formas concretas de participação dos migrantes, A nova “Lei dos Estrangeiros”, História e organização política suíça, Casamento binacional, Migração e saúde, A importância do aprendizado da lingual local, Brasileiros no exterior, Os sem papéis, Estrangeiras/os no mercado de trabalho suíço, Sistema escolar suíço, “O tempo não pára”, Bilingüismo, Religião e integração e “Filhos de brasileiros nascidos no exterior são brasileiros?”

A idéia dos Grupos de Interesse foi abordar temas da vida diária dos brasileiros que moram na Suíça, trazendo esclarecimentos e informações para possibilitar uma maior integração da comunidade brasileira na sociedade envolvente.

Nas conversas de corredor ou na hora do cafezinho, os participantes confirmaram a importância dos temas abordados e destacaram a qualidade das apresentações dos coordenadores.

De volta ao auditório Sandra Urech, da comissão organizadora, apresentou, de forma entusiástica, a árvore do pau-brasil construída durante todo o dia com as digitais dos participantes embebidas em tinta, a partir da obra da artista plástica Rossely Belser. Esse árvore simboliza, segundo Sandra o trabalho conjunto que deve ser desenvolvido com a Comissão pró-Conselho para chegar-se a uma entidade nacional que represente os brasileiros da Suíça. “Precisamos do apoio de todos vocês”, desafiou Sandra e “contamos com isso”, finalizou. A música “Isso aqui, ô,ô, é um pouquinho do Brasil iá,iá”, acompanhada por imagens de eventos realizados pelos diversos grupos brasileiros existentes na Suíça e seguida de pé pelos participantes marcou o encerramento dos trabalhos, com muita emoção e um gostinho de “quero mais”.

(Irene Zwetsch) - CIGA-Informando 43, Novembro 2006

Matérias relativas ao tema, editadas no CIGA-Informando:

Links interessantes sobre o assunto: