Igrejas acompanham os fiéis na imigração
“Quem parte leva saudade de alguém, que fica chorando de dor....” Assim diz uma música muito conhecida. Na verdade, quem parte de seu país e decide começar uma vida nova em outro lugar, leva na bagagem muito mais do que saudade. Leva sonhos, planos, objetivos, e toda uma carga de experiências de vida que colheu ao longo dos anos.
Ao chegar na nova terra, nem sempre a “terra prometida” tão sonhada, a realidade apresenta desafios às vezes difíceis de superar. Para conseguir vencer as dificuldades e encontrar seu espaço no novo mundo as pessoas recorrem a diversas alternativas. Muitas procuram se consolo e auxílio em grupos religiosos e o crescimento das igrejas de migrantes espalhadas pelo mundo comprova a importância desse convívio.
Nós entramos em contato com representantes de diversas igrejas cristãs na Suíça e perguntamos sobre o trabalho que realizam e o público que participa de suas atividades. Infelizmente de muitas comunidades não tivemos um retorno a tempo de publicar nesta edição, mas apresentamos assim mesmo as opiniões de alguns agentes religiosos que se dispuseram a colaborar.
Na região de Basel existem algumas comunidades cristãs atuantes. O grupo da Igreja Batista é, segundo o pastor Moisés Vasconcelos, “a primeira igreja de língua portuguesa da cidade de Basel”. Eles realizam cultos semanalmente às quintas-feiras e aos sábados, sempre às 19:30, na capela da Igreja Batista na St. Johanns Ring 122, em Basel. O grupo, no entanto, não reúne apenas os batistas. “Temos em nossa igreja irmãos de muitas denominações diferentes e de diferentes partes do Brasil e da Europa. Cremos que esse é o lugar que Deus nos deu para cultuá-lo aqui na Suíça nesta cidade”, afirma o pastor Moisés, que ainda realiza trabalhos com outras comunidades cristãs das igrejas Metodista, Batista e Reformada também em outros cantões da Suíça.
Já o grupo ligado à igreja Assembléia de Deus, que em Basel denomina-se Centro Cristão Treffpunkt mit Gott realiza cultos todos os sábados e domingos. O evangelista Nivaldo Resende diz que esses são os momentos em que “vamos a igreja para adorar a Deus, para termos comunhão uns com os outros, para aprender a palavra de Deus e para prestar serviços na área social e espiritual”.
Quem procura esses grupos, na maioria das vezes, são pessoas que já frreqüentavam alguma igreja no Brasil e que buscam um contato com Deus. O pastor Moisés diz que os participantes “são homens ou mulheres, latino-americanos ou europeus, que já ouviram ou que querem ouvir a palavra de Deus.” O evangelista Nivaldo vai além e afirma que são “pessoas alegres, felizes, cheias de fé e esperança em Deus em um mundo cheio de incertezas”.
As motivações dos participantes são as mais variadas, normalmente ligadas a necessidades bem específicas. “As necessidades e motivos que levam as pessoas a nos procurarem são muitos: momentos de dificuldades na família, problemas financeiros, enfermidades, solidão, vazio na alma, depressão, necessidade de encontro com Deus, assim como o filho pródigo (Lucas 15:11)”, revela o evangelista Nivaldo. “ As pessoas buscam alívio e soluções para causas impossíveis através de Deus. Procuram respostas para suas perguntas, um caminho certo e Jesus Cristo tem as respostas (João 14:6)”, conclui o missionário.
Há também os que buscam um contato mais próximo com Deus. “Normalmente as pessoas que nos procuram, são pessoas cristãs, que já ouviram falar de Jesus Cristo, que já freqüentaram alguma igreja evangélica e que estão procurando uma igreja para prestar culto a Deus”, afirma o pastor Moisés. Mas existem também os casos especiais, de “pessoas que nos procuram na intenção de receber um trabalho, um companheiro(a), bens materiais. Nosso trabalho porém não é dar "as bênçãos de Deus" e sim "O Deus das bênçãos", diz.
Os dois missionários reconhecem que a população imigrante enfrenta dificuldades e problemas ligados à sua condição de “estrangeiros”. A falta de informação, problemas com as diferenças culturais e de costumes, o desconhecimento da língua e a falta de calor humano são alguns dos pontos que sempre de novo vêm à tona. A integração numa comunidade cristã local nem sempre é fácil, não apenas em função do idioma, mas também pelas diferenças na liturgia e na forma de realizar o culto. “Para os carismáticos a liturgia de um culto suíço é muito fria e formal”, exemplifica Nivaldo. O probelma da comunicação também dificulta “o relacionamento e amizade com os nossos irmãos suíços”, diz o evangelista. O conselho de Nivaldo é que as pessoas freqüentem uma comunidade carismática cristã e também uma comunidade cristã suíça e procurem passo a passo se relacionar, se familiarizar com as pessoas, com os costumes, com a língua. Afinal, precisamos respeitá-los, pois nós é que somos os estrangeiros aqui”.
A solidão, o medo, a saudade e a depressão também fazem parte do dia-a-dia de muitos imigrantes que procuram as igrejas. Nesses casos, Moisés explica que seu trabalho inclui informações sobre diversas áreas e explicações sobre como algumas coisas funcionam aqui. “Também ajudamos por meio de visitas e acompanhamento no caso de depressão, e damos apoio principalmente na área espiritual”, conclui o pastor.
A igreja católica também conta novamente com atendimento em língua portuguesa desde a chegada do Pe. Marquiano Petez, brasileiro de Curitiba, que responde desde o final de 2005 pelas regiões de Aargau e Basel. O calendário das missas nas diversas regiões encontra-se na página desta edição. Impossibilitado de responder às questões que propusemos, o padre enviou ao CIGA Informando uma mensagem, que transcrevemos parcialmente:
“...A Palavra de Deus hoje é um grito de libertação, de invocação de bênçao e Paz para o mundo. Se diz que quando Jesus nasceu, havia paz no mundo: a “Paz Augusta”. Porém não era paz; era ausência da Guerra, que não é o mesmo. O império tinha eliminado todos seus inimigos, que ameaçavam a sua estabilidade. Não era paz: era domínio absoluto de uma pequena minoria sobre o mundo.
Então nasceu Jesus, veio trazer a paz, mas não uma paz imposta com a força das armas e do terror. A Paz que Jesus traz, se baseia na Justiça e no perdão... A paz é um dom que cada um deve conquistar. Antes de ela ser uma realidade externa, é uma disposição interior...
Feliz Ano, para todos que acordam para o 2006 livres do senso da culpa, cheios de uma vida na qual o entusiasmo e a alegria tecem luz lá onde a amargura deposita teias de aranha. Feliz ano para quem não guarda rancor e não mata em si a fonte da verdade, da transparência, e não olha para o próprio vizinho como passageiro estranho de uma viagem sem paragens, sem praia nem horizonte. (Marquiano Petez).”
Contatos:
Endereços e contatos de outros grupos religiosos na Suíça você encontra no link: Igrejas na Suíça
- Pr. Moises Vasconcelos
Wiesenstrasse 19
4057 Basel
061 631 07 41
076 546 23 23
vasconcelos@freesurf.ch- Centro Cristão T. M. G.
Ev. Nivaldo Resende
Haltingerstrasse 40
061 631 22 30
079 605 92 13
nivaldo.mission@gmx.net- Padre Marquiano Petez
Bruggerstr. 143
5400 - Baden
056 210 06 40
alfa3@freesurf.ch(Irene Zwetsch) - CIGA-Informando 38, Janeiro 2006